Casa do Mercador

“Em comunhão com a natureza”

Um Concelho Radical

in Guia do Lazer, Público 2002
(http://lazer.publico.pt/artigo.asp?id=58989)

O relevo montanhoso, as apelativas albufeiras e os límpidos cursos de água são a melhor riqueza de Vieira do Minho. E são estes também os melhores ingredientes para quem quer vocacionar um concelho ao turismo e ao lazer.
E sabe que é nas camadas mais jovens onde se vai encontrar mais disponibilidade para estabelecer relações estreitas com a natureza, ou mesmo tempo para se praticar os desportos da moda, mais ou menos radicais.

Para concretizar este objectivo, as responsabilidades recaem todas numa empresa municipal - a "Vieira, Turismo e Lazer" - que se desdobra em dar resposta aos grupos que a solicitam, esmerando-se a preparar programas para todos os grupos.

As possibilidades são quase "à la carte": percurso de BTT toda a manhã, competição de tiro com arco e besta à tarde, e terminar o dia na piscina? Ou antes praticar a orientação em plena serra, ou será que é preferível um torneio de "paint-ball", e à tarde aproveitar a fresca para fazer passeios a cavalo - ou ter aulas de equitação - e terminar o dia com um passeio de barco na Barragem da Caniçada? É só dizer o número de pessoas e "discutir" os preços. A "Vieira" ocupa-se do resto de forma a garantir um tempo bem passado.

Não cabe nestas páginas a descrição do que é cada uma destas actividades, nem que sítios foram escolhidos em plena serra da Cabreira para os praticar. Diz a experiência que não se deve revelar tudo, para a surpresa sentida fazer parte das boas memórias a guardar. Por isso, atrevemo-nos apenas a desvendar alguns pormenores de duas actividades porporcionadas pelas bandas de Vieira do Minho.

E podem ser realizadas autonomamente, sem pedir ajuda a guias ou empresas. Uma delas não tem segredos para ninguém: falamos do pedestrianismo. Basta umas botas de montanha, garrafas de água e o gosto por caminhar. A outra está ainda vestida de alguma inovação e pioneirismo, mas já tem um legião de adeptos: o telesqui, ou cabo esqui. Será o esqui aquático tradicional, mas não precisa de barcos ou avionetas para o puxar. Estão lá os cabos estrategicamente colocados para fazer isso. E se não sabe esquiar, aprende. Há tempo para isso.

Vamos à primeira. Os percursos pedestres, que estão sinalizados ao longo da sua extensão. Há-os para todos os gostos e resistências, podendo demorar uns esforçados dois dias ou apenas quatro horas. Esses percursos passam inevitavelmente pelos pontos-chave do concelho ao nível do património natural: calcorreiam o "pulmão verde" da serra, o vale da ribeira de Turio, contornando um parque florestal conhecido como o "Cercado dos Corsos" até ao ponto mais alto, a Serradela, ou o "Cabeço das Vacas", ou o mais altaneiro de todos, o Talefe, de onde a paisagem é mais arrebatadora. Fiquemo-nos por um bem mais curto - de apenas quatro quilómetros- mas igualmente motivante: o trilho dos "Moinhos do Ave".

Sempre a acompanhar o curso do rio Ave, que agora é conhecido por ser um dos mais poluídos do país, o que mais custa é saber que a pureza das suas águas cristalinas vão ser violentadas muitos quilómetros depois dali. Mas enquanto se lhe persegue o leito, desde Lamedo até à nascente, perto da aldeia de Agra, esses pensamentos mais tenebrosos são logo substituídos pelos deleites que só a natureza pode oferecer, e quando a intervenção do homem não a prejudica mas antes a valoriza.

Recomendamos este passeio de manhã bem cedo, ou então ao fim da tarde, porque uma substancial parte do seu percurso é feita em descampados onde a sombra faz muita falta. Se feito em bom ritmo, o passeio demora pouco mais de duas horas. Mas o melhor é ir com tempo, e com um fato de banho trajado. Porque depois de já ter visto uma ponte romana, e ter "galgado" por entre os vários moinhos que serpenteiam a margem esquerda do Ave, já merece esticar-se ao sol numa das muitas imensas pedras que pululam no leito do rio. Mas outras coisas boas ainda estão para vir : a cascata da Candosa é a principal delas. A sua dimensão e a disposição das pedras proporcionam um curioso jogo de cores e equilíbrios.

O trilho há-de acabar depois da Ponte de Agra, e já muito depois de ter passado mais moinhos, pequenas planícies e declives acentuados, e muitos poços no rio. Há dois curiosos, que infelizmente não estão assinalados: o Poço Negro, com mais de 35 metros de profundidade, e o Poço dos Gatos, onde, dizem os locais, a população atirava as ninhadas menos bem-vindas. Chegados à aldeia de Agra, o seu esquema viário vai obrigá-lo a dar de caras com o único restaurante no aglomerado. Passar pelo restaurante de Agra e não entrar é um pecado mais do que mortal. Está na altura então de regalar o estômago e compensar as calorias perdidas...

Agora, uma das maneiras mais originais de deslizar sobre as águas. Na albufeira do Ermal, com acesso pela praia fluvial de Santa Marta, um curioso jogo de quatro colunas de ferro que suportam cordas interligadas por roldanas e um mecanismo que as acciona permitem uma viagem de telesqui. Podem estar sete pessoas em simultâneo a rasgar as águas. E o que mais custa é desistir para dar lugar aos outros.

Os preços da modalidade têm em conta o factor de principiante, sabendo que, aos primeiros metros, quem está a fazer uma estreia é bem capaz de ir logo "ao charco"... Por duas horas, um principiante paga 8,5 euros, ou então um euro cada partida... O melhor é ir praticando até à exaustão, até poder usufruir tanto como os que já não são principiantes e que pagam 10 euros por duas horas de passeios...

Luísa Pinto, (Público 2002)